Uma história de carinho e compromisso

 

 

 

 

45 anos

A Fraternidade Cristã Espírita, Entidade Beneficente de Assistência Social,de direito privado, fundada em 16/06/1963, é juridicamente herdeira da Aldeia Infantil Brasileira SOS, primeira importante instituição criada para acolher crianças sem vínculos famíliares, socialmente abandonadas. Com o desenvolvimento da Aldeia Infantil Brasileira SOS, verificou-se a necessidade de se construir uma infra-estrutura que comportasse outras instituições, órgãos e serviços complementares. Foram criados, então, paralelamente, a Escola Amigo Spinelli, fundada em em 1º de outubro de 1968, a Casa da Juventude Alcina Taborda Garcia, em 15 de setembro de 1985, o Centro de Criatividade Pietro Ubaldi, em 8 de maio de 1980. a Creche MEIMEI, em 22 de outubro de 1982 e a Escola de Informática Fraternidata, em 12 de novembro 1986, além dos serviços e órgãos de apoio técnico e administrativo.

Em decorrência de toda essa estrutura, pensou-se na criação de uma entidade mantenedora, a quem caberia a personalidade jurídica e, dessa forma, surgiu a Fraternidade Cristã Espírita, em 19/02/65, data em que foi registrado no Cartório do Registro Especial, transformando-se na atual mantenedora das Instituições acima referidas, para acolher crianças em situação de risco, destacando-se a Aldeia Infantil Brasileira SOS.

A Aldeia Infantil SOS foi a instituição mais expressiva até 1996. Acolhia crianças , encaminhadas pelo então Juizado de Menores. Baseava-se no modelo de família substituta, onde a mãe era a figura central; em torno dela agrupavam-se até 12 crianças de ambos os sexos que cresciam como irmãos. A visão era oferecer às crianças uma nova família, compensando a perda da família biológica , que perdera o pátrio poder. As crianças deveriam permanecer na instituição até completar maioridade e poderem conduzir suas vidas com independência e dignidade.

Desta forma, inspirava-se no modelo europeu, criado para acolher crianças órfãs, vindas de famílias desaparecidas, vitimadas pela guerra. Era grande o número de crianças abandonadas nos anos de 1945 a 1949. Foi o estudante de medicina Hermann Gmeinner quem idealizou essa instituição.

A partir da segunda Guerra Mundial, vários países adotaram o sistema de Aldeias Infantis SOS para acolher crianças socialmente abandonadas. O modelo das casas-lares permitia o atendimento em pequenos grupos, com a possibilidade de acolher irmãos, preservando-se, assim, os laços consanguíneos. Três são os focos centrais desse modelo: a construção de vínculos afetivos, a individualização e a integração social.

Aqui no Brasil, a primeira a surgir foi fundada pelo Sr. Aldo Flores Ferreira. Ele esteve na Áustria, em 1963, para conhecer ‘in loco’ o sistema das Aldeias Infantis. Maravilhado com o modelo de instituição que acabara de conhecer, propagou o sistema nas principais capitais do País, ainda em viagem, até retornar a Porto Alegre.

Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, em 1990, outra visão é implementada na sociedade brasileira em relação ao atendimento das crianças e dos adolescentes. Quanto às crianças ditas abandonadas, preconiza-se um atendimento institucional temporário, em Regime de Abrigo (Art.90 do ECA), e até mesmo as Aldeias Infantis precisaram de um novo ordenamento para atenderem à visão filosófico pedagógica do Estatuto. Um dos aspectos mais importantes considerados em relação às crianças acolhidas pelas instituições é a aproximação com suas famílias, quando elas existem. Se isso acontece, precisam ser apoiadas e fortalecidas para poder cumprir seu papel e não ser negado à criança o direito de aproximação com seus familiares. Os Abrigos surgem para os casos de famílias fragilizadas por alguma vulnerabilidade social grave e que, por um determinado tempo, precisam de ajuda. Nos casos de abandono legítimo - ausência absoluta da família biológica, o ECA defende o Programa de Adoção.

A Aldeia Infantil SOS, da Fraternidade Cristã Espírita, passou pelo reordenamento referido, inspirada justamente no espírito do Estatuto, que prega o valor da família na formação da criança, mesmo que ela seja substituta. Devendo investir na prevenção do abandono infanto-juvenil, a instituição direcionou suas ações para outro regime de atendimento - Regime de apoio Socioeducativo em meio aberto, ECA art.90 ítem ll Este envolve vários programas de atendimento a crianças e adolescentes de 0 a 18 anos: Creche (0 a 3 anos), Escola Infantil (3 a 6 anos ), Atendimento Socioeducativo (7 a 14 anos) e Iniciação ao Mundo do Trabalho (14 a 18 anos). Este reordenamento ocorreu ainda na gestão do fundador da Aldeia, senhor Aldo Flores Ferreira, que se afastou do trabalho em 1998, por motivo de saúde, vindo a falecer em 5 de janeiro de 2004.

Cumpre ainda registrar que o Regime de Abrigo (modelo casas-lares), para crianças que temporariamente perderam os vínculos com a família biológica , permanece no contexto da Aldeia, através de parceria com outra instituição congênere, a S.E.Amor do Mestre Jesus. A Fraternidade Cristã Espírita cedeu em comodato algumas de suas unidades para o acolhimento dessas crianças.

Em 2001, com a conclusão do Planejamento Estratégico, viveu a instituição um momento muito significativo relacionado à sua nova marca. A Aldeia Infantil Brasileira S.O.S. passou a denominar-se ALDEIA DA FRATERNIDADE, mantendo a palavra Aldeia, por ser a mais forte da sua denominação anterior, e o nome Fraternidade, fazendo a ligação com a Mantenedora e também pelo fato de ser uma expressão que conota sentimento. Seu símbolo - o peixe - é redesenhado, lembrando não só a marca dos cristãos, mas também, com seu novo design, mãos em concha, sinalizando amparo e proteção.

Em 2003, foi concluído o período de implantação do Planejamento Estratégico. Gradativamente os resultados esperados vem se cumprindo, a dificuldade maior é sempre a condição financeira. Entretanto, muitas idéias estão se concretizando , garantindo um futuro promissor para a instituição. Ao longo de 43 anos, a Fraternidade Cristã Espírita atendeu um universo aproximado de dez mil atendimentos.

Em janeiro de 2006, a Instituição viveu um momento de grande importância social, vendo dois de seus filhos assumirem os postos mais altos da Administração. Exemplos muito significativos de resultados positivos, Pedro Macedo Padilha e Luiz Fernando Carvalho assumiram o compromisso como Presidente e Vice-Presidente, para o período de 11/01/2006 a 11/01/2008. Ambos foram filhos da primeira família SOS, tendo como mãe substituta a senhora Rosa Lima da Rosa , primeira Mãe SOS do Brasil.