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Filho da Aldeia
Pedro Macedo Padilha é o Presidente da Aldeia da Fraternidade há
2 anos e se diz "filho" da instituição. Sua história
começou em Jaquirana (hoje, São Francisco de Paula). Filho
de Maria e João, tinha mais um irmão e uma irmã.
Em 1963, sua mãe faleceu e o pai decidiu doar os filhos em uma
festa de casamento. Pedro tinha apenas 4 anos e foi adotado por uma família
de Canela. Lá, ele ficou por 5 meses, até ser separado dos
irmãos e ser doado para outra família, sem explicação
alguma. Essa segunda família, por sua vez, trouxe o menino para
Porto Alegre pouco antes dele completar 5 anos. "Lembro que era um
sábado, e que eles me levaram pra Aldeia da Fraternidade. Eles
disseram que iriam sair pra comprar banana, fruta que sabiam que eu adorava,
e nunca mais voltaram", lembra. Depois de muita tristeza, ele ficou
morando na Casa-Lar com outras crianças – "minha história
é parecida com a de outras crianças com quem me criei".
Pedro lembra da cena dos pais adotivos se despedindo dele com vividez,
e também lembra das muitas noites em que adormecia chorando, junto
com outras crianças que também choravam. "Quando eu
estava junto com os irmãos da Aldeia, brincando, as coisas parecem
mais amenas. Mas quando a noite chegava, não tinha jeito",
recorda. Seu pai SOS era o presidente da Aldeia na época e a mãe
era Rosa. Quando completou 12 anos, Pedro foi transferido para a Casa
da Juventude, onde fez cursos de marcenaria, carpintaria e pintura –
cursos que o ajudariam muito depois, na vida profissional. Pedro foi,
então, trabalhar com esse tipo de serviço na Vila Cruzeiro.
Ele se virava como podia – cortava grama, pintava casas –
e assim ia crescendo.
Em 1980, quando recebeu seu primeiro salário, viajou para Canela
para rever a família que o deixou na Aldeia. Não para recriminar
– Pedro seguiu sem rancor no coração. Queria revê-los.
Ele tinha uma vaga lembrança do 1 ano que morou com eles –
lembrava de cartas. E do prédio onde a família morava. Chegando
em Canela, perguntou onde era o prédio dos Correios, e lá
achou a família. "Eles se sentiram muito culpados, mas eu
não fui lá com intenção de cobrar nada".
Há 22 anos, Pedro começaria a trabalhar na Petrobrás,
como Técnico de Enfermagem, mas nunca abandonaria a Aldeia da Fraternidade.
No seu emprego, aprendeu muito sobre administração e Gestão
em Recursos Humanos – duas coisas que levaria para a Aldeia quando
se tornou seu presidente. Ele segue trabalhando na Refap à noite
e segue, também presidente da Aldeia até o final deste ano.
Ele é casado com Luciana há 8 anos e tem 4 filhas: Carol
(16 anos, fruto de seu primeiro casamento), Bianca, de 6, Alice, de 3
e a caçula Dani, de 1 ano e meio.
Metas na Aldeia? Ainda são muitas – e o orgulho por fazer
parte da instituição também. "Hoje, trabalhamos
com metas, valores, missão de empresa. Agora, estamos em busca
da ISO. Tem muita coisa a ser feita, e sinto que estou devolvendo para
a Aldeia – e para a sociedade – o que ela fez por mim".

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